A ecologia ao serviço da descontaminação mineira dos rios

A contaminação que muitos rios apresentam, consequência da actividade mineira que se desenvolveu no passado nas zonas circundantes, poderia ter os dias contados, graças a um novo sistema de tratamento ecológico das águas cuja implementação na bacia do Odiel, em Huelva, será uma experiência pioneira.

Os trabalhos têm vindo a desenvolver-se graças ao projecto LIFE ETAD, co-financiado pela União Europeia, no qual participa a empresa Sacyr Constucción, na qualidade de sócio coordenador, a  Consejería de Medio Ambiente, através da Agencia de Medio Ambiente y Agua e a Universidade de Huelva. Em declarações à Efe, José Miguel Nieto, o investigador da Universidade de Huelva que dirige o projecto, explicou que as águas ácidas de minas são “o resultado da interacção da água com os sulfúricos e resíduos da mina, que se enche de ácido e metais” e que acabam nas bacias fluviais contaminando os rios, como é o caso dos rios Tinto e Odiel em Huelva.

Por esse motivo, o sistema desenvolvido, que apresentou resultados positivos em laboratório e em pequena escala no terreno, aplica um tratamento que “permite a transformação dessas águas contaminadas em águas limpas, de uma forma ecológica e a custos reduzidos”.

Ecológico porque “não consome electricidade nem reagentes” é “um tratamento passivo”, o custo energético “é zero já que a instalação de tratamento foi concebida de forma a que, por meio da gravidade, a água se desloque de uma parte do sistema para outra e o custo de consumíveis seja mínimo, pois como substrato reactivo só se usam pequenos grãos de calcário, carbonato cálcico”.

Presentemente, os investigadores estão empenhados em recolher os dados necessários para dimensionar a instalação de tratamento que a Sacyr construirá em 2015 na zona elevada da bacia do Odiel o que permitirá dar início no final desse ano à monitorização dos resultados e a comprovação do seu funcionamento na qual estão inteiramente confiantes.

Na referida planta subir-se-á o PH das águas com valores próximos de 3, que é o nível encontrado nos rios contaminados, acima de 6, um nível no qual todos os metais dissolvidos se precipitam, por meio da utilização de uns filtros reactivos aos quais se aplicou uma inovação tecnológica para evitar que colapsem.

Nieto assinalou que a novidade deste sistema de tratamento reside na sua inovação tecnológica: “Este sistema de tratamento passivo já nos anos 90 tinha sido experimentado em águas contaminadas pela actividade mineira de extracção de carvão nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, no caso destas, contaminação causada por metais, mas somente era possível prolongar por uma semana devido à colmatação dos filtros, que num determinado momento perdiam permeabilidade impedindo a passagem da água”.

“A inovação tecnológica no nosso caso, consiste em, ao mesmo tempo que precipito os metais, aplico um sistema que permite que, conforme os filtros perdem porosidade primária, gerem uma secundária por dissolução”, explicou.

Com uma patente em processo de registo, Nieto assegura que este sistema de tratamento abre possibilidades de descontaminação de muitos rios com uma problemática semelhante à da Faixa Piritosa Ibérica e ressalta o facto de o sistema ter já despertado a atenção de países sul-americanos, da África do sul e do Japão.   

Os resultados previstos são, por esse motivo, a demonstração da capacidade de viabilização das tecnologias passivas para drenagens ácidas de mina, a melhoria da qualidade da água na zona e o uso das novas tecnologias que resolveriam um sério problema ambiental que afecta águas degradadas pela actividade mineira.

 

Fonte: EFEverde

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