O desenvolvimento do projecto

A urze das minas (Erica andevalensis)

A Erica andevalensis é uma planta muito original, não só por ser a única espécie de urze endémica da Península Ibérica (1), mas porque costuma viver em matas adjacentes a cursos de água contaminados por drenagens de ácidos de mina (DAM), ricos em sais de cobre e em escombreiras secas de minas de pirites (2). 

 

  Habitat característico da urze das minas. 

 

Com certeza a expansão desta espécie a partir do seu habitat original, que poderia estar associada a afloramentos de Gossan (3), teve o impulso da expansão da indústria mineira durante o século XIX e primeiro terço do XX.

Portanto, apesar da sua capacidade de desenvolvimento em habitats tão extremos, a sua distribuição geográfica é relativamente alargada (principalmente na comarca do Andévalo), podendo-se encontrar urzais desta espécie em locais tão meridionais como a povoação referida em Corrales (Aljaraque), fronteira à cidade de Huelva (4) ou mesmo em Portugal, onde foi identificada pela primeira vez na mina de São Domingos (5).

 

Distribuição geográfica (incompleta) de Erica andevalensis (6).

 

Talvez por esse motivo, esta singular urze tenha sido excluída do Catálogo Andaluz de Espécies Ameaçadas, onde figurava como uma das espécies mais vulneráveis, como " Espécies em perigo de extinção "; ainda hoje continua a ser uma espécie protegida mas está todavia sob um menor grau de ameaça, incluindo-se na Lista Andaluza de Espécies Selvagens sob Protecção Especial (Anexo X do Decreto 23/2012 de 14 de Fevereiro).

Erica andevalensis na parcela LIFE ETAD

A região onde vai ser construída a instalação- piloto LIFE ETAD sempre estive ligada à actividade mineira, e de facto, esta parcela é quase inteiramente ocupada por resíduos desta actividade (aterros). Portanto, como era expectável, a urze das minas foi detectada em abundância nesta área.

De seguida, exibir-se-á a distribuição da Erica andevalensis na região e fotografias de cada uma das áreas delimitadas.

 

Distribuição da urze.

 

Zona 1.

 

Zona 2.

 

Zona 3.

 

Zona 4.

 

Zona 5.

 

Zona de recolha.

 

Medidas de conservaçao

Caso a construção da estação de tratamento passivo LIFE ETAD tivesse sido levada a cabo sem que fossem tomadas medidas para a conservação desta espécie, os exemplares da zona teriam sofrido danos directos.

Assim, foi solicitada uma autorização especial à Delegación Provincial de Agricultura, Pescas e Ambiente em Huelva, para o transplante de pés de Erica andevalensis, autorização essa que foi concedida sob uma série de condições.

Entre outras, foi exigido que o transplante fosse realizado com máquinas que permitissem extrair grandes volumes de terra em conjunto com as raízes, para assegurar assim altas taxas de sobrevivência, e, por outro lado, que o destino das plantas transplantadas satisfizesse as condições ambientais adequadas à espécie, em particular no que respeita à concentração de metais e acidez do substrato (neste sentido, a zona proposta foi aceite pela Administração e denominada por "zona de recolha").

Obtida a autorização administrativa, deu-se inicio imediato aos trabalhos, concluídos em meados de Abril de 2015.

Em seguida, um relatório fotográfico com as acções levadas a cabo.

 

Extracção com retroescavadora.

 

Transporte com pá retroescavadora.

 

Preparação dos locais de destino dos pés transplantados.

 

Plantacão manual.

 

Cuidados após transplantes.

 

Aparência final.

 


Referências:

(1) Izco J., Amigo J., Ramil-Rego P., Díaz R. y Sánchez L.M. 2006. Brezales: biodiversidad, usos y conservación. Recursos Rurais (2006) nº 2 : 5-24.

(2) Santa-Bárbara-Carrascosa, C. y Valdés-Castrillón, B. 2008. Guía de la flora y vegetación del Andévalo: faja pirítica España-Portugal. Consejería de Medio Ambiente, Dirección General de Planificación e Información Ambiental, Dirección General de Gestión del Medio Natural, Junta de Andalucía. Sevilla (España). Páginas 224-225.

(3) Blanca, G., Cabezudo, B., Hernández-Bermejo, J.E., Herrera, C.M., Molero-Mesa, J., Muñoz, J. y Valdés, B. 1999. Libro Rojo de la Flora Silvestre Amenazada de Andalucía. Consejería de Medio Ambiente, Junta de Andalucía, Sevilla (España). Páginas 119-122.

(4) Consejería de Medio Ambiente. 2006. Inventario de Humedales de Andalucía (I.H.A.).

(5) Capelo, J., Bingre, P., Arsénio, P., Espírito Santo, M.D., 1998. Uma ericácea nova para a flora portuguesa. Silva Lusitana, 6 (1), p. 119. Lisboa, Portugal.

(6) Marquéz, B., Hidalgo, P.J., Heras, Mª.A., Velasco, R. Córdoba, F. 2005. Erica andevalensis: un brezo endémico y en peligro de extinción de la zona minera de Huelva. Jornadas Técnicas de Ciencias Ambientales, p. 17.

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